Eu não sou o tipo de pessoa que demonstra sentimentos do mesmo jeito que as pessoas costumam demonstrar. Para mim dizer coisas em voz alta demanda muita energia, principalmente se forem coisas pessoais. Eu nunca disse ‘eu te amo’ pra ninguém, nem para os meus pais. Eu cresci no meio de pessoas que não me deram o exemplo de como amar outras pessoas, de dizer como me sinto ou de demonstrar isso fisicamente. Conheço menos ainda amor próprio. Aos 10 aprendi a ter medo de homens. Aos 15 meu mundo caiu. Aos 16 eu quis deixar de existir. E a cada ano passado depois disso eu inexisti. Tentei terapias, tentei me abrir, tentei conversar, tentei mostrar, mas todas as tentativas evaporaram deixando a sensação de impotência. Não importa o que eu fizesse, nada parecia diminuir essa sensação no meu coração. Tudo o que eu faço parece errado. Todas as palavras são extremamente cansativas de serem proferidas e no final parece que elas não se conectam, volto a estaca zero de novo. Como se a vida fosse esse loop infinito de erros, ao final de cada volta eu me sinto menor e mais exausta. Esse ano eu experimentei a sensação inóspita de não sentir mais nada. É como se o mundo inteiro estivesse sintonizado em stereo e eu em mono. Como engolir um comprimido anestésico todas as manhãs no café. Eu não tenho mais energia pra lutar contra o mundo, nem mesmo uma faísca. É como se a qualquer momento eu fosse desaparecer e nem mesmo isso fizesse diferença. Uma luz vermelha se acendeu no ultimo mês quando a minha própria mente pareceu ter vida própria criando cenários e contando mentiras a ponto de querer me sabotar. No mínimo uma vez ao dia eu me pego indo até as configurações das redes sociais, rolando a barra até o botão de “deletar”. Será que eu sou a única que se sente assim? Será que eu sou o que todos dizem? Será que é só isso que a minha vida é? É fácil julgar as pessoas pelo que elas postam. É fácil presumir coisas baseado na própria experiência. Mas será que aquela pequena exposição é realmente a realidade? O quanto você realmente pode saber vendo somente uma única foto? Uma única frase? Um emoticon como resposta? Será que as pessoas são realmente só isso?
Eu não quero mais ter medo.
Eu não quero mais me sentir assim.
Eu não quero mais ser só um nome.
Eu não quero mais ser só um número.
Eu cansei disso.
Já faz um tempo que dei um passo pra trás e observei em silêncio. Não importa o quanto eu ache que aprendi, todo dia sou atingida por uma bala diferente. Houve um tempo onde eu continuaria no chão, me contorcendo de dor. Acontece que a dor me consumiu por tanto tempo que em algum momento eu parei de sentir e foi exatamente aí que o jogo virou. De repente eu não sentia mais nada.
Absolutamente nada.
Desde então eu ando nesse terreno perigoso.
Who’s gonna be the first to say goodbye?
Dear no one…
…dessa vez não vou mais me esconder atrás do inglês. Desde que eu te conheci a minha cabeça e o meu coração divergem. Pelos últimos 5 anos eu te amei e te odiei. Em alguns momentos eu te desejei. Outros eu te apaguei. A montanha russa do meu coração tentou criar cenários perfeitos, e por um tempo eu me senti feliz imaginando que nessa outra dimensão eu fui extremamente amada de volta. E assim como todo sonho termina quando o sol aparece, a realidade dessa vida conectou a razão mostrando exatamente o quão pequena eu sou. Antes mesmo de você apontar meus erros, eu já os tinha decorados de trás pra frente. Está tudo bem, eu entendo a tua ira, eu me odeio também. Mas por um segundo tu chegou a dar um passo pra trás e procurar no fundo das tuas lembranças que no inicio de tudo tu também errou comigo? Que tu também me machucou? Eu assumo, eu errei contigo. Eu deveria ter dito todas aquelas palavras que ficaram presas na minha língua. Eu deveria ter coragem de expor todas as coisas que eu sinto, mesmo as mais difíceis. E, apesar de todo o medo que eu constantemente sinto do mundo, tu soube em primeira mão o motivo de eu ter crescido assim. É mais fácil quando a gente escreve algo revelador ao invés de falar em voz alta né? Da mesma forma que eu te descrevi uma das piores noites da minha vida, tu disse em algumas palavras que eu era um ‘alguém’ importante. Acho que ambas as nossas palavras foram invalidadas pelo tempo, não é? E mesmo que no meu coração eu saiba que talvez tu seja exatamente o que falta em mim, minha razão sabe que nós dois vamos seguir separados.
Então é isso, essa é a última carta.
Por favor, me desculpe. Eu não pude ser melhor.













